
A história é centrada na dupla João Grilo (Matheus Nachtergaele) e Chicó (Selton Mello), dois nordestinos sem eira nem beira que se valem da esperteza de Grilo para conseguirem sobreviver a dura vida no sertão. E assim os dois conduzem a trama provocando muitas confusões e enganando ricos e poderosos. Por trás disso, está uma severa crítica às relações díspares entre as camadas sociais, marca registrada de Ariano Suassuna, um dos mais engajados escritores brasileiros.
O Auto da Compadecida é uma peça de teatro escrita por Ariano Suassuna, em 1955. Nestes 45 anos, o premiado texto já passou pelas mais diversas adaptações e interpretações. Uma delas foi empreendida pela Rede Globo, no ano passado, que transformou a peça em minissérie de TV. Visando futuras exportações, o produtor Daniel Filho propôs ao diretor Guel Arraes que esta nova versão de O Auto... deveria ser realizada em película 35 milímetros, já que o mercado externo tem forte rejeição a produtos televisivos captados em vídeo. Assim se fez. E a minissérie foi um grande sucesso de público e de crítica.
Daí para a telona foi um passo. Após algumas horas na sala de montagem, Guel cortou 60 dos 160 minutos originais da minissérie, eliminando para isso algumas tramas paralelas. E o resultado,é simplesmente irresistível.
Eu assisto todo dia se passar! Interpretação imaculada do Selton e do Mateus. Ariano Suassuna é uma jóia rara. Saudade. Beijos